Para fazer uma singela homenagem ao poeta douradense…
“Tem pão velho?!.
Não criança. Tenho o pão que o diabo amassou e tem sangue de índios
nas ruas e quando é noite a lua geme por seus filhos mortos…
Tem pão velho?!
Não criança. Temos comida farta em nossas mesas, abençoadas de toalhas
de linho, talheres,
Temos mulheres servis.. automóveis, geladeira, fogão… Mas não temos
pão!
Tem pão?!
Pão não!
Tem pão?!
Pão não!
Tem pão velho?!
Não criança. Temos asfalto, água encanada, supermercados, edifícios,
temos pátria, pinga, armas e ofícios mas não temos pão.
Tem pão velho?!
Não criança… temos tudo mas não temos nada que se pareça com um
pão…
Não criança… temos tudo mas não temos nada que se pareça com um
pão…
Não criança… temos tudo mas não temos nada que se pareça com um
pão…
Tem pão velho?!
Não criança. Temos mísseis e satélites, computadores, radares, temos
canhões, navios, usinas nucleares mas não temos pão
Tem pão?!
Pão não!
Tem pão?!
Pão não!
Tem pão velho?!
Tem pão velho?!.
Não criança. Tenho o pão que o diabo amassou e tem sangue de índios
nas ruas e quando é noite a lua geme por seus filhos mortos…
Tem pão?!
Pão não!
Tem pão?!
Pão não!
Tem pão velho?!
Não criança, tem tua fome travestida de trapos nas calçadas, que
trazem seus pesinhos de anjos faminto e frágil… Pedindo um pão velho
pela vida…
Temos luzes e óperas nas avenidas, temos índias suicidas… mas não
temos pão!”
Emmanuel Marinho